Vídeo E Cinema Documental

Fórum dos alunos e professores de Vídeo e Cinema Documental da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes - Instituto Politécnico de Tomar!
 
InícioFAQBuscarMembrosGruposRegistrar-seConectar-se

Compartilhe | 
 

 Teoria: O real, o simbólico e o imaginário

Ir em baixo 
AutorMensagem
Morais Sarmento
Admin
avatar

Mensagens : 89
Data de inscrição : 30/09/2008
Idade : 34
Localização : Lisboa - Lumiar - Oeiras - Cascais

MensagemAssunto: Teoria: O real, o simbólico e o imaginário   Qua Out 01, 2008 3:04 am

O real

Aqui, o "real" resulta ser um termo bastante enigmático, e não deve ser equiparado com a realidade, uma vez que a nossa realidade está construída simbolicamente; o real, pelo contrário, é um núcleo duro, algo traumático que não pode ser simbolizado (isto é, expressado com palavras). O real não tem existência positiva; só existe como abstracto.

Nem tudo em realidade pode ser desmascarado como una ficção; basta ter presente certos aspectos - pontos indeterminados - que têm que ver com o antagonismo social, a vida, a morte, e a sexualidade. Temos que enfrentar com estes aspectos se quisermos simbolizá-los. O real não é nenhuma espécie de realidade atrás da realidade, mas sim o vazio que deixa a própria realidade incompleta e inconsistente. É o espectro do fantasma; o próprio espectro em si é o que distorce a nossa percepção da realidade. A trilogia do simbólico/imaginário/real se reproduz dentro de cada parte individual da subdivisão. Há também três modalidades do real:

O "real simbólico": o significante reduzido a uma fórmula sem sentido (como em física quântica, que como toda ciência parece arranhar o real mas só produz conceitos apenas compreensíveis)

O "real real": uma coisa horrível, aquilo que transmite o sentido do terror nas películas de terror.

O "real imaginário": algo insondável que permeia as coisas como um pedaço do sublime. Esta forma do real torna-se perceptível na película Full Monty, por exemplo, no facto de que na nudez dos protagonistas desempregados, estes devem despir-se por completo; noutras palavras, através deste gesto extra de degradação "voluntária", algo da ordem do sublime se faz visível. A psicanálise ensina que a realidade (pós-moderna) precisamente não deve ser vista como uma narrativa, mas como o sujeito o há de reconhecer, suportar e ficcionar o núcleo duro do real dentro de sua própria ficção.

O simbólico

O simbólico inaugura-se com a aquisição da linguagem; é mutuamente relacional. Assim, sucede aquilo de que "um homem só é rei porque os seus súbditos se comportam perante ele como um rei". Ao mesmo tempo, permanece sempre uma certa distancia no que diz respeito ao real (excepto na paranóia): nem só é louco o mendigo que pensa que é rei, também aquele rei que verdadeiramente crê que é um rei. Uma vez que efectivamente, este último só tem o "mandato simbólico" de rei.

O real simbólico é o significante reduzido a una fórmula sem sentido. O imaginário simbólico qual símbolos jungianos. O simbólico simbólico como o falar e a linguagem como sentido em si. O visor do monitor como forma de comunicação no ciberespaço: como um interface que nos leva a uma mediação simbólica da comunicação, a um abismo entre quem seja que fala e a "posição de falar" em si (p.ex. a alcunha, ou a direcção de correio). "Eu" nunca "de facto" coincido exactamente com o significante, não me invento a mim mesmo; em contrapartida, a minha existência virtual foi, em certo sentido, já confundida com o surgimento do ciberespaço. Aqui cada um, deve chegar a entender-se com uma certa insegurança, mas não pode ser resolvida como num simulacro de contingente pós-moderno... Aqui também, como na vida social, as redes simbólicas circulam á volta dos núcleos do real. As redes simbólicas, são a nossa realidade social.

O imaginário

O imaginário encontra se situado ao nível da relação do sujeito consigo mesmo. É como o olhar do Outro na etapa do espelho, a falta em esse reconhecimento ilusório, como conclui Jacques Lacan citando a Arthur Rimbaud: "Eu sou um outro" ("Je suis un autre"). O imaginário é a fantasia fundamental que é inacessível á nossa experiência psíquica e se eleva do espectro fantasmático em que encontramos objectos de desejo. Aqui também podemos dividir o imaginário entre um real (o fantasma que assume o lugar do real), um imaginário (a imagem/espectral em si que serve como isco) e um simbólico imaginário (os arquétipos de Jung e o pensamento New Age). O imaginário nunca pode ser agarrado, já que todo discurso sobre ele sempre estará localizado no simbólico.

Todos os níveis estão interligados, de acordo com Jacques Lacan (desde o seminário XX para a frente), numa forma de nó gordiano, como três anéis enlaçados juntos de maneira que se um deles se desenlaçara, o resto também cairia.

_________________
Marcos Morais Sarmento
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://MarcosSarmento.hi5.com
 
Teoria: O real, o simbólico e o imaginário
Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» Mimetismo Eólico.
» Qual dos "Duojutsus" Se Existise Na Vida Real Seria Mais "Util".
» Mundo de naruto invadindo o mundo real
» Teoria Tobi é Obito
» Olá!!!

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Vídeo E Cinema Documental :: Disciplinas 1.ºAno/1.ºSemestre :: Antropologia Cult. e da Imagem :: Apontamentos-
Ir para: